quarta-feira, agosto 24, 2005

"I am very happy... so please hit me"

Se há génios artísticos actuais, Antony and the Johnsons cabem perfeitamente na categoria.
A música, seja qual for o álbum, (já sairam dois, Antony and the Johnsons, 2000 e I am a Bird Now, 2005) ou EP, (I Fell in Love with a Dead Boy, 2001; The Lake, 2004), intensifica o que quer que estejamos a sentir. Consegue ser simultaneamente íntima e excêntrica, delicada e agressiva, clássica e moderna, e sempre dramática, pungente e ambígua. Presumo, com todo o desconhecimento de causa, que serão, aliás, qualidades do cantor e compositor.
Esta abrangência de estilos deve-se, não só, às características do próprio Antony, que oscila entre o nervoso, claustrofóbico e o sensível, susceptível, mas em grande parte, às performances dos Johnsons, que, com formações bastante ecléticas, dentro do clássico, jazz e pop, transportam com facilidade qualquer destes ambientes para as canções da banda.
Em boa parte das músicas, podemos sentir a elevação do piano, (sempre), violinos e violoncelos, sublimados por flautas ou harpas, e entrecortados pela bateria mais ritmada e pela voz marcada do cantor, que vai versando a transexualidade e a relação sadomasoquista que mantém com os melhores sentimentos.
Definitivamente, a não perder, a colaboração com o seu ídolo, Boy George, onde canta em dueto "You Are my Sister", no I am a Bird Now, 2005, bem como o ep The Lake, 2004, com poesia de Edgar Allan Poe.